Agricultura Orgânica

plantacao-organicaA agricultura orgânica é a linha mais difundida da agroecologia. A IFOAM (Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica) e o Governo Federal têm como princípio e prática a agregação de todas as demais vertentes à agricultura orgânica, respeitando as especifi cidades de cada uma.

Sua base técnica está na manutenção da fertilidade do solo e da saúde das plantas por meio da adoção de boas práticas agrícolas, como a diversifi cação e rotação de culturas, adubação orgânica, manejo ecológico de pragas e doenças e a preservação ambiental.

De acordo com a Lei Federal nº 10.831, de 23 de dezembro 2003:

“Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específi cas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica; a maximização dos benefícios sociais; a minimização da dependência de energia não-renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos; e a eliminação do uso de organismos geneticamente modifi cados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente”.

Considerado o pai da agricultura orgânica, Sir Albert Howard, realizou diversos estudos sobre compostagem e adubação orgânica, como resultado de sua vivência, durante quase 30 anos com agricultores tradicionais indianos. Os estudos realizados na Índia resultaram na publicação do livro Um Testamento Agrícola, de 1940, que é considerado um marco para a agricultura orgânica. No entanto, coube à Lady Balfour a responsabilidade pela divulgação e aceitação desses conceitos na comunidade européia. A pesquisadora publicou The Living Soil (O solo vivo), em 1943, que deu origem à The Soil Association (Associação do Solo), principal órgão representativo do setor orgânico da Grã-Bretanha.

Sistema orgânico x convencional

A agricultura orgânica é um sistema de produção que se contrapõe ao sistema convencional. A Tabela 2 destaca as principais diferenças entre os dois sistemas de produção.

Tabela 2. Principais diferenças entre sistema conencional e orgânico.

INDICADORES

CONVENCIONAL

ORGÂNICO

Manejo do Solo

Degradação ambiental por práticas inadequadas:

  • Monocultura

  • Uso intensivo de máquinas e implementos agrícolas

  • Baixa cobertura do solo

Preservação ambiental por uso de boas práticas agrícolas:

  • Maior diversidade de uso do solo

  • Uso racional de máquinas e implementos

  • Boa cobertura do solo

Pragas e Doenças

Medidas de controle:
Uso intensivo de agrotóxicos
Favorecimento de novas espécies de pragas e doenças Eliminação dos inimigos naturais das pragas pelo uso inadequado de agrotóxicos.

Uso de medidas preventivas Manejo ecológico de pragas e doenças.
Quando necessário, utilização de produtos não contaminan- tes.

Adubação

Uso intensivo de adubos químicos

Uso de adubos orgânicos (composto, esterco, adubo verde).

Número de Espécies ou Variedades (plantas e animais)

Plantas e animais selecionados para altos rendimentos

Uso de variedades e espécies mais resistentes e adaptadas ao ambiente da produção

Sustentabilidade

Alta dependência externa de insumos e de energia não renovável

Busca a autosustentabilidade dos sistemas de produção

Riscos de Contaminação

Contaminação de trabalhadores rurais e consumidores por usos indevidos de agrotóxicos.
Contaminação ambiental

Produção de alimentos livres de contaminação por agrotóxicos.
Preservação ambiental.

Impacto sobre recursos hídricos

Maior impacto

Menor impacto

    Vários estudos confirmam o melhor desempenho ambiental e qualidade dos produtos orgânicos, quando comparados com os convencionais.

    Merecem destaque os resultados de uma pesquisa científica realizada durante 22 anos por David Pimentel, da Universidade Cornell, Estados Unidos, comparando o cultivo orgânico de soja e milho com o convencional. Nesse estudo, foram avaliados seus custos e benefícios ambientais, energéticos e econômicos, concluindo-se que:

    1. O cultivo orgânico utiliza uma média de 30 por cento menos energia fóssil; conserva mais água no solo; induz menos erosão; mantém a qualidade do solo e conserva mais recursos biológicos do que a agricultura convencional.
    2. Ao longo do tempo os sistemas orgânicos produziram mais; especialmente sob condições de seca.
    3. A erosão degradou o solo na fazenda convencional, enquanto que o solo das fazendas orgânicas melhorou continuamente em termos de matéria orgânica, umidade, atividade microbiana e outros indicadores de qualidade.

    Quanto à qualidade dos alimentos, destacamos o trabalho realizado pela Universidade Johns Hopkins, Baltimore, EUA, por meio da revisão dos resultados da pesquisa disponíveis, comparando alimentos orgânicose convencionais. Esta revisão foi feita em 41 estudos com 1.240 comparações de 35 vitaminas e minerais. Os principais resultados foram:

    1. Os produtos orgânicos apresentaram maiores teores de magnésio (29%), de vitamina C (27%) e de ferro (21%).
    2. Os produtos orgânicos sempre apresentaram menor nível de nitratos (em média 15 % menor) e menos metais pesados do que os produtos cultivados convencionalmente.
    3. Quanto aos efeitos dos alimentos orgânicos na saúde, estes foram positivos sobre a saúde dos animais usados nos testes.

    Os efeitos foram mais acentuados nos animais recém-nascidos ou enfraquecidos por doenças. O Mercado de produtos orgânicos De acordo com a IFOAM, a área mundial supera os 30 milhões de hectares, sendo praticada em todos os continentes (tabela abaixo).

    CONTINENTE ÁREA PLANTADA EM HECTARES
    América do Norte 2000 – 1 milhão
    2006 – 2,2 milhões
    América Latina 2000 – 3,3 milhões
    2006 – 5,8 milhões
    África 2000 – 0,02 milhão
    2006 – 0,9 milhão
    Europa 2000 – 3,7 milhões
    2006 – 6,9 milhões
    Ásia 2000 – 0,05 milhão
    2006 – 2,9 milhões
    Oceania 2000 – 7,6 milhões
    2006 – 11,8 milhões
    TOTAL 2000 – 15,67 milhões
    2006 – 30,5 milhões

    O Brasil apresenta um número crescente de produtores orgânicos, alguns motivados pelos preços atuais desses produtos, mas outros pela necessidade crescente de atender a demanda da população por alimentos mais saudáveis, produzidos de forma sustentável. Dados oficiais sobre o mercado nacional de produtos orgânicos são muito recentes. Considerando a área certificada, calcula-se que existam mais de um milhão de hectares cultivados no sistema orgânico no Brasil, ocupando a quinta posição mundial. Os principais produtos orgânicos brasileiros são: soja, café, frutas, cana-de-açúcar, cacau, palmito e hortaliças.