Água no Mundo

globo-nasaApesar de apenas cerca de 200 mil quilômetros cúbicos de água totalizarem os volumes estocados nas calhas dos rios e nos lagos de água doce, esses mananciais – mais acessíveis e mais utilizados para suprir as necessidades sociais e econômicas da humanidade – são vitais para os ecossistemas. Alguns interpretam esse cenário como de crise de água, visto que a população mundial (5 a 6 bilhões de habitantes) esgotaria esse volume em cerca de trinta a quarenta anos de uso.

Entretanto, o ciclo hidrológico proporciona uma apreciável renovabilidade dos volumes de água estocados nas calhas dos rios, embora a variabilidade desse mecanismo possa ser muito grande, tanto no tempo como no espaço.

A consideração dos potenciais de água nos rios de cada país, no que diz respeito ao volume per capita (ou de reservas sociais), permite corrigir a influência das grandes diferenças de densidades de população. Essas relações caracterizam a riqueza ou a pobreza de água nos países. Entretanto, constata-se que a distribuição das águas entre os indivíduos é muito mais desigual do que entre os países, pois é pequena a relação entre a densidade populacional e a distribuição dos potenciais de água doce de cada país.

Com base na população de 1995, os países se agrupam nas classes de muito pobre de água doce (< 500 m3 per capita/ano) a muito rico (>100 mil m3 /per capita/ano), enquanto seus níveis de consumo variam entre muito baixo (<100 m3 per capita/ano) a muito alto (> 2 mil m3 per capita/ano). Nessas avaliações, considera-se que as atuais formas de uso não apresentarão sensível incremento de eficiência.

A distribuição continental dos potenciais correspondentes às descargas de água nos rios e às quantidades per capita durante um ano médio, sofre a influência do contingente populacional. Embora a Ásia seja comparativamente a região com maior descarga de água doce, seus habitantes dispõem das menores taxas, enquanto a Austrália/Oceania, com os menores potenciais, proporcionam maiores disponibilidades per capita. Quanto à distribuição por país, os habitantes das nações da América do Sul são relativamente os mais ricos em água doce, enquanto os dos países do Norte da África, em termos relativos, são os mais pobres.

A distribuição das demandas de água no mundo revela que aparentemente o fator dominante é o nível de desenvolvimento alcançado pela população de cada país ou a importância das atividades de irrigação. A análise de cinquenta países mostra a tendência de redução das taxas de consumo a partir de certo nível de riqueza. A interpretação dada é que, uma vez atingido determinado nível de desenvolvimento, buscam-se alternativas de otimização e eficiência que levam à queda do consumo de água.