1.1 A interdisciplinaridade na Educação Ambiental

Para González e Gaudiano (2005), a interdisciplinaridade é a possibilidade de explorar novos sentidos do conhecimento indo além do que comportam as disciplinas individualmente, oferecendo novos conceitos de forma ampla; segundo os autores, esta cooperação entre disciplinas é necessária diante da complexidade dos problemas ambientais bem como a busca por soluções.

Para que o preconizado se efetive, há necessidade de que o processo ocorra em todas as dimensões da formação humana, considerando os diversos ciclos de aprendizagem, de modo transversal e significativo, resultando em ações que reflitam as observações a partir da realidade.

Para Figueiredo (2006), ao ser abordada nas instituições de ensino, a Educação Ambiental deve desenvolver-se transversalmente a fim de evitar ações isoladas, descontextualizadas e desvinculadas dos conceitos reais a que se propõe uma Educação Ambiental transformadora com vistas à sustentabilidade. Não sendo suficiente apenas a execução, nas escolas, de projetos engessados e ancorados a temas pontuais.

Conforme Guimarães (2006), o homem moderno, consumista e individualista destrói a natureza de maneira mais danosa do que antigamente o que equivale dizer que as ações fragmentadas, como simplesmente tratar da questão do lixo, reduz e simplifica a visão de uma realidade que demanda de novos olhares e de novos conceitos de meio ambiente; colocando o ser humano como integrante ativo da natureza de maneira que este se reconheça como parte e como todo. E, então, sensibilizar para que haja uma inter-relação: homem-natureza/natureza-homem, estabelecendo entre estes, linearidade indissociável.
Segundo André Trigueiro, colaborador do programa “Vamos cuidar do Brasil”, a noção de respeito ambiental, legitimamente apropriada, ocorre à proporção que reconhecemos o meio ambiente como parte de nós mesmos, que se origina em cada um de nós, entrelaçando nossas relações com o universo, tornando-nos um só ser demandando de atenção e cuidados. Sob essa ótica, o tema desponta-se amplamente fazendo com que seus desdobramentos provoquem reflexões demandando uso de diversos compartimentos do conhecimento.

De acordo com Garcia (1994), o momento contemporâneo sugere a efetivação de fazeres pedagógicos que estimulem a interdisciplinaridade transversalmente, considerando a complexidade da realidade e, por conseguinte da temática.

Recorremos a Stengers (1990), para abordar a noção de complexidade, que segundo o autor é arriscada sob a ótica da nova trama dos saberes sendo, com efeito, uma ideia que está na moda, havendo nessa moda uma engenhosidade. É nesta engenhosidade que ocorrem os discursos sobre a complexidade, servindo como argumento diante de alguns contextos, justificando, então, a inércia e a não apropriação do tema nos espaços de discussão.

A interdisciplinaridade é apontada como ferramenta no processo de apropriação e sedimentação do conhecimento que, ao se conectarem entre si transversalmente, promovem a compreensão do todo num processo de maturação, associando-se ao ensino e a pesquisa, integralizando os conteúdos e superando a compartimentalização dos saberes gerada pela especialização simplista.

Sendo a convergência de áreas distintas do conhecimento, a interdisciplinaridade, considera a aplicação de metodologias interativas, ativas, inovadoras delineando a heterogeneidade nos enfoques, propondo um novo arranjo, uma nova conexão entre as ciências sociais, exatas e naturais.

Vale enfatizar que o contexto cognitivo da Educação Ambiental pactua com o diálogo permanente e reflexivo, a partir de articulação complexa e heterogênea entre os saberes.
Nesse sentido, o conhecimento, sob o prisma transdisciplinar complexo e heterogêneo, se mostra como um motor na geração de novas concepções.

Para Morin (2000), a transdisciplinaridade comunga estreitamente do exercício do pensamento complexo, visto que legitima a condição de transmigração e diálogo entre saberes através de diversas áreas.

Dessa forma, valer-se da interdisciplinaridade para análise dos dilemas ambientais é resultado da constatação de que os fatores que afetam, impactam, garantem ou exterminam a vida no planeta são de esfera global, o que equivale dizer que fatores sociais, culturais, econômicos, políticos, institucionais e biológicos devam ser balizados contextualmente no sentido de compreensão panorâmica.

Para Garcia (1994), não é suficiente a coesão e interseção de saberes distintos para firmar o modelo interdisciplinar. A Educação Ambiental precisa pautar-se em trocas sistemáticas e no entrelaçar de saberes disciplinares que integrem uma problematização, posta aqui como interface entre as diversas áreas, como as ciências naturais e sociais, a fim de incrementar a pedagogia ambiental, todavia a concretização desta implica em comunhão das diversas disciplinas, revendo o apartamento dos saberes.