1.2. Projeto de Educação Ambiental nas escolas

Para Lipai (2007), um ponto a ser discutido é o de como operacionalizar a Educação Ambiental integrando-a aos documentos norteadores e flexibilizando-a conforme as diferentes realidades da comunidade escolar.

Conforme a autora, trata-se de um fenômeno social e cultural que a Política Nacional de Educação Ambiental não elucidou, no entanto, com base em seus princípios e objetivos verifica-se alguns parâmetros comuns como: o consenso da complexidade contida na temática ambiental, as inter-relações entre ambiente, sociedade e cultura, o caráter crítico, político e interdisciplinar; visto que, para além desses parâmetros comuns, coexistem aspectos da educação e da seara ambiental que podem ser explanados sob todos os desdobramentos e especificidades contidas nos espaços atemporais do aprender.

O processo deve transcorrer a partir da educação infantil, perpassando o ensino fundamental promovendo a sensibilização, a percepção, a interação e o respeito do aluno para com o meio ambiente e circunstâncias, enfatizando as especificidades dessa relação encontrando reflexos nas ações coletivas.

Uma sugestão que tem se apresentado exitosa para a inclusão referente à temática ambiental nos espaços escolares é a aprendizagem desenvolvida em forma de projetos. Conforme Capra (2003), essa é uma proposição vinculada à nova compreensão de aprendizagem, ratificando a necessidade de expediente de ensino oportuno, evidenciando a importância de um currículo integrado, priorizando o conhecimento contextualizado e significativo, no qual os vários compartimentos possam ser acionados a serviço de um objeto de estudo. O objeto, aqui, posto como um tema transversal que perpassa por outras disciplinas estabelecidas e traz para o cotidiano escolar o estudo de situações cotidianas.

Segundo Nalini (2003), ocupar-se do meio ambiente deve ser um compromisso constante de todos que dela usufruem; o conhecimento, que resulta em respeito, é tarefa contínua implicando toda a existência. Sendo assim, não há um caráter cronológico engessado, o que equivale dizer que a aquisição de conhecimentos ecológicos comtempla todas as fases do desenvolvimento humano, ou seja, uma vez que todos sejam incluídos no processo de aprendizagem, as ações serão coletivas. Trata-se, então, de condição de aprendizado atemporal, entretanto, quando se trata de tópicos transversais, como é o caso da Educação Ambiental, o tema é abordado parcialmente, considerando apenas alguns pontos, limitando a probabilidade de hipóteses e consequentemente a pesquisa.

Segundo Tiriba (2005), instituiu-se uma situação desordenada no planeta, evidenciando a probabilidade de o ser humano desencadear um processo de autodestruição, irrompendo situações socioambientais insuportáveis, comprometendo a existência de todas as espécies sob o planeta.

Para a autora, tal fato se dá devido a humanidade contar com a infinitude dos recursos naturais; ao suposto desenvolvimento e desejo desmedido de possuir e consumir e, para satisfazer as necessidades, nós, os ocidentais desenvolvemos, nos últimos anos, um sistema de desenvolvimento atrelado ao capital em detrimento da continuidade de vida do planeta.

Simultaneamente a este modelo capitalista focado no lucro, a partir da geração de bens em atendimento ao consumo desenfreado, verificam-se a acentuada desigualdade social e o desequilíbrio ambiental, ambos demandando atenção; evidenciando, assim, a necessidade de reeducação ambiental.