1.4 A Educação Ambiental no Ensino Fundamental II

Nos anos finais do ensino fundamental, segundo Lipai (2007), é oportuno introduzir atividades que estimulem o pensamento crítico e interpretativo e que envolvam os dilemas socioambientais para que, de posse da complexidade contida nestes, despontem adultos conscientes de sua responsabilidade ambiental.

Para a autora, os educandos do ensino médio e da educação de jovens e adultos estão num estágio de maturidade e cognição, no qual se supõe que, estejam aptos a exercer responsabilidade, atuando diretamente nos eventos ambientais, sociais e culturais e; diante disto, a cidadania ambiental deve ser amalgamada, a partir de análises e observação da realidade, a fim de torná-los indivíduos conscientes ecologicamente. E, desta forma, estarão plenos para atuar frente às demandas da nova consciência ambiental atenuando os impactos que os grupos, economicamente vulneráveis e em situações de risco ambiental, sofrem.

Portanto, neste cenário escolar, é imprescindível tratar de legislação ambiental direcionada a avaliar atividades profissionais enfatizando a responsabilidade social e ambiental e orientar os profissionais a fim de coibir ações que destruam o meio ambiente; ilustrando assim, o desrespeito que leva a crimes ambientais.

Para tal, há que se considerarem os princípios gerais e fundamentais contidos no processo educativo, para com crianças, jovens e adultos, pautados em importantes documentos que norteiam práticas e gestão ambiental.

Neste sentido, a Constituição de 1988 estipula que a educação seja um direito de todos e afirma no artigo 225, o direito coletivo no tocante a viver em ambiente isento de contaminação; sendo bem de uso comum e salutar à qualidade de vida, delegando ao poder público e à coletividade a tarefa de defender e preservar o planeta para os que vivem e os que estão por vir.

O conceito de educação, enquanto direito, foi ratificado internacionalmente na Declaração Mundial de Educação para Todos em seu artigo1º, ao dizer que a cada pessoa – criança, jovem e adulto – devem ser oferecidos meios de desfrutar de situações educativas destinadas ao atendimento de suas necessidades primeiras de aprendizagem.

A premissa de que a aprendizagem deve ocorrer ao longo da vida, respalda tanto a necessidade de garantia de acesso à educação, quanto a capacidade do indivíduo em compreender, refletir e atuar com criticidade em qualquer momento e ciclo da vida.

Nessa concepção, a Educação Ambiental está inserida como fator fundamental no processo educativo, em que não se estabelece limites de idade, não sendo excludente; visto que o conceito e a prática, nesta temática são, dadas as especificidades, integradoras e extensas e, por isso, se efetiva na troca entre gerações distintas. Essa constatação efetiva-se na ação coletiva, desencadeando uma relação de cooperação entre os ambientes socioculturais e naturais fortalecendo-se mutuamente.

Os elos estabelecidos entre o homem e o mundo, sendo sociocultural, natural, resultam em aprendizagem, ou seja, estar no mundo equivale a aprender com ele. Sob esse prisma, a educação está para além de instrumento, tem função crítica e ativa e, ao promover a interpretação do mundo propiciando condições para reconfigurá-lo, torna-se parte indissociável sustentando todo o processo. À educação, aqui elucidada, atribui-se o entendimento de que é um processo intrínseco à vida, dialogando com esta, na medida em que a transforma.

Conforme Marçal (2005), a instituição escolar que acomoda o Ensino Fundamental, estabelece-se como lugar favorável às discussões socioambientais, possibilitando a promoção de mudança de conceitos e valores nos alunos direcionando-os a atitudes e condutas compatíveis com a realidade ambiental. Considerando a função da instituição escolar na formação permanente de sujeitos críticos e éticos, tendo em vista, que possam colaborar no sentido de proteção ao meio ambiente e preservar a qualidade de vida, é imprescindível promover grupos de pesquisas e discussões referentes à efetividade destes pressupostos desenvolvidos na escola, quando da execução da Educação Ambiental.

Para o autor, a Educação Ambiental enquanto instrumento gerador de senso crítico, participativo, que chama a atenção para o uso consciente dos recursos naturais, deve propor estratégias de cunho ecológico, político, social, cultural e econômico resultando significativamente e impactando o meio.

Castro (2001), ressalta a importância da temática ambiental enfatizando que esta transcende o envolvimento dos profissionais específicos, cuja formação está diretamente ligada a ela e, por ser complexa e ampla, estende-se a todos os atores sociais, tendo em vista que todos são passíveis de ser impactados com os efeitos negativos resultantes de suas ações.