1.6. A Educação Ambiental em espaços não escolares: desafios

Afloram-se, nesse contexto, indagações acerca da eficácia dos fazeres pedagógicos, sendo escolares ou não escolares; quanto à contribuição na expansão da consciência ambiental, sendo que esta é concebida via processo educativo.

De acordo com Ramos (2010), como todo processo educativo, a EJA visa compartilhar e prover novos saberes promovendo e desencadeando comportamentos críticos e criativos, a partir do conhecimento empírico e diante da realidade socioeconômica, cultural e ambiental, estabelecendo um diálogo entre conhecimentos e vivências que estes indivíduos acumularam e apresentam, em si, como parte de sua propriedade intelectual.

A fim de pensar meios e traçar estratégias para que esses objetivos sejam idealizados, vale observar a maneira pela qual os indivíduos percebem sua relação com a natureza; vale, também, investigar o saber ambiental que trazem na bagagem e suas experiências diárias; vale oferecer-lhes condições para que, de modo significativo partilhem suas vivências e a partir destas se proponham outras construções.

Neste sentido, é oportuno incutir nos indivíduos o conceito de meio ambiente como algo latente dentro do próprio ser humano, sedimentando o entendimento de que a preservação e o exercício da cidadania são direitos e deveres que os compõem enquanto protagonistas nas tomadas de decisão e nas questões referentes a políticas ambientais.

Essa concepção se contrapõe ao modelo vigente que insere a Educação Ambiental como conteúdo isolado no currículo de EJA, seja no nível de ensino fundamental, seja no ensino médio, sugerindo que deva ocorrer enquanto tema transversal devendo ser aprofundado em todas as esferas de conhecimento e em todos os ciclos da escolarização.

Como o documento de Niace declara, a Educação Ambiental caracteriza-se como formação permanente, sendo incorporada à formação geral ao longo da vida. Paralelamente a isso, a Educação Ambiental desempenha uma função estratégica imprescindível nos espaços de aprender, extrapolando o sugerido pelo documento ao frisar a importância da Educação Ambiental na EJA, possibilitando, através da transversalidade, que os conhecimentos apreendidos pelas crianças encontrem reflexo nos conhecimentos e as ações desenvolvidas pelos adultos de forma integrada e efetiva.

Nessa dinâmica, em que os espaços escolares viabilizam o compartilhamento de saberes, de conhecimentos e ações integrando a comunidade escolar considerando indivíduos de diversas faixas etárias, a Educação Ambiental desempenha uma função social importante atuando no resgate de valores e condutas intrínsecas à convivência humana.

Outro produto, fruto dessa articulação, é a possibilidade de aproximação da comunidade externa à comunidade escolar e desta forma minimizando conflitos, como por exemplo: invasão às instituições, furtos e depredações. Ao se perceber inserido, o indivíduo se apropria de deveres e direitos identificando-se como parte de um todo, agora, considerado seu.