1.7. Educação Ambiental no Ensino Superior

As universidades, conforme Brandão (2014), por serem espaços de pesquisa e produção de conhecimento, impactam significativamente a sociedade, transformando-a por meio do desenvolvimento intelectual e da expressão livre de pensamento. Sendo assim, os bancos universitários devem proporcionar situações em que a temática sustentabilidade gere ações impactantes nos âmbitos social, econômico e ambiental.

Segundo Castro (2002), Educação Ambiental reflete uma práxis socioeducativa cuja finalidade é a reformulação de valores e conceitos que viabilizem a compreensão da realidade e da vida resultando na atuação crítica e consciente com vistas à sustentabilidade.

Essa concepção se constitui na proposição de um modelo contrário ao atual, fundamentando-se sob uma conduta contemporânea da relação sociedade-natureza, de modo individual e global.

A Educação Ambiental, no ensino superior, ocorre a partir de disciplina específica abordando legislação e gestão ambiental, enfatizando a importância da temática sustentabilidade e toda sua dimensão na formação dos profissionais que nela atuam e em alguns casos desenvolvem atividades na comunidade a fim de partilhar conhecimentos acadêmicos.

Para legitimar a atuação e expandir as possibilidades, de acordo com a complexidade do tema, é fundamental incentivar a elaboração de projetos de pesquisa voltados à inovação metodológica no trato da temática socioambiental visando criação, desenvolvimento e implementação de recursos e programas objetivando a eficácia das práticas de produção e recuperação ambiental.

A capacitação docente é mola propulsora para que a Educação Ambiental, no ensino superior, alcance esses propósitos disruptivos e transformadores, que consequentemente serão refletidos na sociedade.

Pensar o currículo como “relicário” já que a ele compete a função de “guardar e direcionar” os conteúdos que subsidiam os fazeres pedagógicos aliando-os a uma práxis pautada na formação crítica do ponto de vista político, pedagógico a ecológico, o qual deve ser construído de modo que envolva toda a comunidade para que possa verdadeiramente expressar os anseios da coletividade

Conforme Patrícia Ramos Mendonça, colaboradora do projeto “Vamos cuidar do Brasil”, há que se conceituar a Educação Ambiental numa perspectiva construtivista que transita entre a ética e política e, que em cuja compreensão perpassa as relações de causas e efeitos dos fatores socioambientais em dado tempo e espaço, garantindo a harmonia vital aos seres vivos, inclusive no tempo futuro.

Sendo assim, a formação docente deve ser contínua atentando às condições ancoradas a esse conceito, como por exemplo:

  • A transversalidade – opondo-se à lógica curricular linear, contemplando o desejável, sob um novo arranjo de apropriação de conhecimentos por meio de atividades interdisciplinares.
  • A criticidade – evitando que o tema seja abordado de forma simplista e despolitizado, a fim de garantir as circunstâncias propicias para que os conceitos de cidadania sejam despertados objetivando que os princípios de pertencimento e corresponsabilidade encontrem reflexo nas tomadas de decisões visando à sustentabilidade.
  • A disrupção atitudinal – a fim de gerar nos indivíduos a percepção de conectividade, visto que a mudança individual considerada como único vetor para a mudança coletiva, representa uma visão parcial, mostrando-se insuficiente na alteração de padrão de desenvolvimento; considerando, aqui, que as partes e o todo têm um movimento dialético fazendo com que as conexões indivíduo/ grupo resultem mudanças significativas.
  • A institucionalização – a fim de garantir simultaneidade das ações por meio de um Projeto Político Pedagógico nos quais os elementos conceituais, que orientam a Educação Ambiental, possam constar nos princípios estruturantes de todo o processo educativo contemplando o viés da politicidade, própria da temática.

Visto que a Educação Ambiental, no que se refere à visão política-pedagógica, contendo conceitos, princípios e objetivos não produzem mudanças e eficácia por si só, deve-se atentar e investir no caráter educativo pelo qual, efetiva-se realmente o processo atuando como agente transformador de valores e promotor de atitudes influindo nas relações sociais.

Segundo Lima (2005), o filósofo do direito Rudolf Von Ihering sugere que o propósito do direito é obtenção da paz, o que se dá através de luta, ou seja, o direito não é apenas um conceito, trata-se de uma força viva que se personifica através dos que dela se valem para mover-se em direção ao que creem.

O que, para Lima (2005), equivale dizer que, para além do contido nos parâmetros, obviamente os pressupostos legais norteadores só são efetivados e legitimados à medida que são trazidos ao debate, refletidos, promovendo diálogos, aplicados, questionados, aceitos ou negados; ou seja, cabe ao indivíduo a interpretação, compreensão e concretização de ações positivas, nas quais, a propagação de valores validará sua intenção.

Neste caso, para além da consonância sobre a importância da PNEA, enquanto dispositivo destinado à construção de sociedades conscientes, entende-se que é na apropriação crítica, no exercício de uma docência política e na promoção da cidadania que seus conceitos se legitimam.