1. Educação Ambiental: A Interdisciplinaridade e Transversalidade

A expressão da Educação Ambiental, para a Política Nacional de Educação Ambiental – Lei nº 9795/1999, apresenta-se no artigo 1º: como sendo os percursos pelos quais os sujeitos, de modo singular e enquanto comunidade, passam para desenvolver princípios sociais e competências destinados à preservação da natureza, tendo em vista o modo sadio de viver, bem como a recuperação e manutenção dos recursos naturais. Desta forma, os espaços escolares surgem como sítio apropriado para que a temática sustentabilidade seja fomentada e gere frutos expressivos.

Imagem interdisciplinaridade

Conforme Mousinho (2003), trata-se de um mecanismo que consiste em incutir na sociedade, enquanto indivíduos e comunidade, uma consciência crítica em direção às questões ecológicas, assegurando o acesso ao esclarecimento em linguagem apropriada, contribuindo para a disseminação de um pensamento ético viabilizando o confronto dos dilemas ambientais e sociais. Visando êxito, tal consciência deve ser construída numa perspectiva de enredamento, atuando simultaneamente nas esferas cultural, ambiental e social atribuindo à crise ambiental os aspectos éticos e políticos. Em 1997, o Ministério da Educação apresentou um documento norteador denominado PCN’s – Parâmetros Curriculares Nacionais – sugerindo que o tema Educação Ambiental fosse abordado nas escolas de forma transversal e interdisciplinar propondo que as práticas desenvolvidas fomentassem reflexões acerca das questões ambientais sob a ótica local e planetária.

Para os Parâmetros Curriculares Nacionais, a transversalidade e a interdisciplinaridade são abordadas sob o prisma da criticidade, chamando atenção para a dimensão da realidade; sugerindo a necessidade de considerar a rede de relações entre os fatores antagônicos e suas implicações. Ressaltando que a interdisciplinaridade trata do tema sob uma concepção epistemológica do objeto de conhecimento, enquanto à transversalidade perpassam a didática e metodologia.

Para Santos (2007), há divergência entre autores ao propor a existência de uma disciplina específica para abordar Educação Ambiental, devendo ser incluída no currículo escolar, como Matemática, Português, História e Geografia, justificando que, desta forma, desenvolveriam transformações atitudinais nos alunos, empoderando-os para defesa do meio ambiente, e assim, o tornando ecologicamente equilibrado. No entanto, essa disciplina precisa ser desenvolvida com temas que contemplem o interesse dos alunos e associada à proposta pedagógica da escola.

Embora haja discordância entre autores, e segundo Fracalanza (2004), observa-se unanimidade com relação ao fato de que a Educação Ambiental, dada à complexidade, não deve se limitar ao espaço de uma disciplina. Sendo, por outros, questionado o fato de não haver uma disciplina específica para tal temática, visto que todos concordam da necessidade em preparar o indivíduo para o enfrentamento dos impactos e para busca de soluções.

De acordo com o autor, há que se ponderar a efetividade da Educação Ambiental ao ser inserida, simplesmente, como mais um compartimento do currículo escolar e ministrada de forma isolada e descontextualizada. Há outras proposições a serem consideradas.